Machu Picchu: Mistérios da Construção, engenharia e história

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By Éder Civitarese

Machu Picchu, frequentemente conhecida como a “Cidade Perdida dos Incas”, é um dos monumentos mais emblemáticos e reconhecíveis da civilização inca. Localizada nas majestosas montanhas dos Andes, no Peru, essa antiga cidadela foi construída no século XV e permanece como um símbolo da engenhosidade e do espírito inca. 

Com suas impressionantes estruturas de pedra, terraços agrícolas e vistas deslumbrantes, Machu Picchu não é apenas uma maravilha arquitetônica, mas também um testemunho da habilidade e da visão de um povo que floresceu em meio a desafios geográficos e sociais.

O fascínio que esta cidadela exerce sobre historiadores, arqueólogos e visitantes é inegável. Desde seu redescobrimento em 1911, Machu Picchu tem atraído pessoas de todo o mundo, que vêm em busca de respostas sobre sua função e significado.

Vista aérea de machu picchu

Pesquisadores tentam desvendar os segredos de sua construção e explorar como os incas conseguiram erguer uma cidade tão magnífica em um ambiente tão remoto e acidentado. Para muitos, Machu Picchu não é apenas um destino turístico; é um convite a um mundo envolto em mistério e história.

Neste post, nosso objetivo é explorar a rica história de Machu Picchu e os enigmas que a cercam. Buscaremos entender não apenas as circunstâncias de sua construção, mas também as teias de lendas e mitos que rodeiam a cidade ao longo dos séculos. 

Através desta jornada, esperamos oferecer uma visão clara e enriquecedora sobre o que faz de Machu Picchu não apenas um marco histórico, mas uma verdadeira joia cultural da humanidade.

O Contexto Histórico da Civilização Inca

A civilização inca, que floresceu entre os séculos XV e XVI, é considerada uma das mais sofisticadas e influentes culturas da América pré-colombiana. O império inca, que se estendia por grandes partes da atual região andina, abrangia o atual Peru, Equador, Bolívia, Chile e Argentina. 

A cultura inca era rica e diversificada, refletindo valores de trabalho em equipe e comunhão com a natureza. A religião desempenhava um papel central, com seus deuses e práticas rituais, que buscavam venerar a Pachamama (Mãe Terra) e o Inti (deus sol). 

As artes também eram altamente valorizadas, com magníficas expressões em cerâmica, têxtil e metalurgia que ainda encantam estudiosos e visitantes.

A origem deste vasto domínio remonta à tribo inca, que inicialmente se estabeleceu no vale de Cuzco, onde desenvolveram uma sociedade agrícola baseada no cultivo de batatas e milho.

O processo de expansão do império inca começou em 1438, quando os incas enfrentaram e venceram o povo chanca em uma batalha decisiva, liderados por Pachacuti Inca Yupanqui. Essa conquista permitiu que os incas anexassem as regiões anteriormente controladas pelos chancas. 

Após isso, os filhos do imperador inca expandiram seu domínio, conquistando a rica região da bacia do lago Titicaca, ao sul. Eles também avançaram em direção ao nordeste, enfrentando os chimus da cidade de Chan Chan, o que permitiu que o império se estendesse até as costas do oceano Pacífico. Com essas conquistas, os incas passaram a controlar uma vasta área que era lar de aproximadamente 12 milhões de habitantes, e iniciaram a cobrança de impostos dos povos derrotados, bem como construiram estradas que conectassem esses novos territórios ao império. 

Assim, os incas conseguiram expandir seu domínio para uma área vasta, que se estendia por mais de 4 mil quilômetros

Com uma combinação de conquista militar eficaz, alianças estratégicas e um sistema administrativo bem estruturado, o império inca rapidamente absorveu muitas culturas nativas, incorporando suas práticas e tradições em seu modo de vida. 

Este processo de assimilação e centralização permitiu que os incas se tornassem mestres na agronomia, engenharia, e arquitetura, estabelecendo cidades e infraestruturas que até hoje impressionam.

A Descoberta de Machu Picchu

A história de Machu Picchu tomou um novo rumo em 1911, quando o explorador e historiador Hiram Bingham redescobriu a antiga cidadela inca. 

Embora locais como Machu Picchu já fossem conhecidos por habitantes locais e estudiosos peruanos, foi Bingham quem trouxe a atenção internacional para o sítio. Durante uma expedição patrocinada pela Universidade de Yale e pela National Geographic Society, ele chegou ao local e, ao ver as impressionantes ruínas escondidas na encosta das montanhas, rapidamente percebeu a magnitude histórica e cultural que elas representavam.

A história de quem redescobriu Machu Picchu envolve alguma polêmica, já que antes de Bingham, em 1902, o agricultor peruano Agustín Lizárraga havia se deparado com Machu Picchu e deixou sua marca ao escrever seu nome e o ano em uma das paredes do Templo das Três Janelas. Nos primeiros diários de Bingham, ele reconheceu Lizárraga como o descobridor da cidade sagrada. No entanto, em edições posteriores de seu livro “A Cidade Perdida dos Incas”, ele acaba omitindo essa informação.

Antes deles, em 1867, o explorador alemão Augusto Berns visitou a região de Machu Picchu. Mapas daquela época indicam que ele estava ciente do império inca. No entanto, não buscou o reconhecimento por sua descoberta, possivelmente devido a relatos de que ele também havia saqueado tesouros do lugar, o que contribuiu para a falta de interesse em reivindicar qualquer crédito.

Independentemente da polêmica, o redescobrimento de Machu Picchu teve um impacto profundo na arqueologia e na história da civilização inca. Bingham documentou suas descobertas por meio de fotografias, estudos e artigos, despertando o interesse de arqueólogos, historiadores e do público em geral. Essa atenção levou a um aumento significativo no turismo e à implementação de pesquisas acadêmicas que buscavam entender melhor a cultura inca e seu legado. 

As expedições subsequentes no local revelaram uma vasta gama de artefatos, incluindo ferramentas agrícolas, cerâmicas, e elementos sacramentais, que ajudaram a delinear um quadro mais claro da vida e das crenças dos incas.

As contribuições de Bingham e suas descobertas iniciais foram, portanto, fundamentais para o conhecimento da história inca. Seu trabalho motivou uma série de escavações e análises que revelaram a complexidade e o avanço da sociedade inca, enriquecendo nossa compreensão sobre sua organização social, religiosa e econômica.

Arquitetura e Engenharia Inca

Machu Picchu é uma obra-prima da arquitetura e da engenharia inca, refletindo tanto a habilidade dos construtores quanto a adaptação ao desafiador ambiente montanhoso. A cidade é marcada por uma série de características arquitetônicas distintivas, incluindo terraços, templos e palácios. 

terraços em machu picchu

Os terraços, por exemplo, não serviam apenas para a agricultura, mas também atuavam como um sistema de drenagem que evitava a erosão do solo. Esta estrutura não só possibilitou o cultivo em uma área montanhosa, mas também ajudou a manter a integridade da cidadela.

O que observamos hoje em Machu Picchu foi moldado a partir da abertura entre dois pequenos picos, exigindo a remoção de pedras e terra para criar um terreno relativamente nivelado. O engenheiro Kenneth Wright estima que cerca de 60% das estruturas de Machu Picchu estejam abaixo do solo. Grande parte dessas construções consiste em fundações que se estendem a profundidades significativas, além do uso de rochas trituradas para facilitar o sistema de drenagem do local.

Machu Picchu é um notável exemplo de engenhosidade na engenharia hidráulica. Situada no centro da densa selva tropical de Cusco, a cidade inca enfrenta um clima com chuvas intensas e frequentes. Para erguer uma cidade de pedra neste ambiente úmido, os incas precisaram administrar o excesso de água que se acumulava. Para isso, eles projetaram fontes e canais de água de forma tão precisa que ainda impressionam os estudiosos até hoje.

canais de água de machu picchu

Os templos de Machu Picchu, como o Templo do Sol, exalam um caráter sagrado, com pedras meticulosamente trabalhadas e alinhamentos astronômicos que refletem a importância da religião na vida inca. 

Os palácios e edifícios administrativos exibem uma simetria e proporções que falam sobre a estética e a funcionalidade do design inca. Os construtores utilizaram uma técnica conhecida como “pedra seca”, que consiste em colocar pedras cuidadosamente ajustadas umas às outras sem o uso de argamassa.

paredes de machu picchu construidas com a técnica pedra seca

Considerando que a região é frequentemente afetada por terremotos, é importante notar que as grandes construções incas se mostraram extremamente resilientes diante de fortes tremores, ao contrário de várias edificações europeias que, muitas vezes, não resistiram e desabaram.

Além disso, as impressionantes obras de irrigação direcionadas aos vales áridos, a construção de pontes suspensas que atravessam grandes desfiladeiros e a criação de aterros em áreas pantanosas evidenciam o alto nível de conhecimento técnico dos incas na engenharia e na arquitetura.

Entre as curiosidades sobre a cidade destaca-se a precisão de seu layout, que parece ter sido planejado em perfeita harmonia com a paisagem circundante. 

Machu Picchu não é apenas um exemplo de construção; é uma demonstração impressionante de como a arquitetura pode fundir-se com a natureza, criando um espaço que não só é funcional, mas também reverencial.

Os Mistérios da construção de Machu Picchu

Apesar das muitas descobertas feitas até agora, Machu Picchu ainda envolve uma série de mistérios sobre sua construção e finalidade. Existem várias teorias que tentam explicar por que e para que a cidade foi construída. 

Uma dessas teorias sugere que Machu Picchu era um santuário religioso, destinado a ser um espaço de culto e adoração aos deuses incas. 

Outras especulações afirmam que se tratava de um retiro real, usado pelos imperadores incas como um local de descanso e reflexão longe da vida na capital, Cuzco. 

Uma terceira possibilidade é que Machu Picchu atuasse como um centro administrativo, monitorando e controlando o comércio e as comunidades agrícolas da região.

Uma nova teoria apresentada pelo arqueoastrônomo italiano Giulio Magli sugere que a viagem de Cusco a Machu Picchu poderia ter um significado cerimonial. Essa jornada refletiria, de acordo com as lendas, a trajetória celestial que os primeiros incas teriam seguido ao deixar a Ilha do Sol, localizada no Lago Titicaca. Em vez de optar por um trajeto mais prático ao longo das margens do Rio Urubamba, os incas optaram por construir a desafiadora, mas deslumbrante, Trilha Inca. Segundo Magli, este caminho era uma preparação para os peregrinos que se aproximavam de Machu Picchu. A jornada culminaria na subida dos degraus da Pedra Intihuatana, que é o ponto mais elevado das ruínas.

Um desafio crítico no entendimento do propósito de Machu Picchu é a falta de registros escritos da época. Os incas não deixaram uma linguagem escrita, o que dificulta a obtenção de informações diretas sobre suas intenções e usos. Em vez disso, historiadores e arqueólogos dependem de uma combinação de artefatos, relatos orais e inferências para construir narrativas sobre a vida naquela cidade antiga.

Quando o explorador Hiram Bingham III redescobriu Machu Picchu em 1911, ele buscava na verdade uma cidade diferente, chamada Vilcabamba. Vilcabamba era considerada a capital secreta dos incas, para onde eles haviam se refugiado após a chegada dos conquistadores espanhóis em 1532. 

Com o passar do tempo, a história de Vilcabamba ganhou a fama de ser a lendária Cidade Perdida dos Incas. Bingham dedicou a maior parte de sua vida defendendo a ideia de que Machu Picchu e Vilcabamba eram o mesmo local, uma teoria que foi desmentida apenas após sua morte em 1956.

Atualmente, acredita-se que a verdadeira Vilcabamba tenha sido construída na densa selva, a aproximadamente 80 quilômetros a oeste de Machu Picchu.

Adicionalmente, existe uma quantidade significativa de debate sobre quem habitava efetivamente Machu Picchu. Evidências indicam que a população pode ter sido composta tanto por nobres quanto por trabalhadores, e os vestígios de atividade agrícola sugerem que a vida cotidiana incluía tarefas relacionadas à produção de alimentos. 

As interações sociais e culturais que podem ter ocorrido nesta cidade isolada tornam Machu Picchu um rico campo de estudo, cheio de perguntas ainda sem resposta.

Esses mistérios, combinados com sua arquitetura impressionante e história intrigante, garantem que Machu Picchu continue sendo um dos destinos mais fascinantes para historiadores, turistas e interessados pela história humana.

Se você se interessa por maravilhas da arquitetura antiga, não perca este artigo sobre a Cidade subterrânea sob as Pirâmides de Gizé, no Egito

REFERÊNCIAS

Arquitetura Inca – História da Arquitetura Inca. Disponível em: <https://www.historiadomundo.com.br/inca/arquitetura-inca.htm>.

Arquitetura de Machu Picchu. Disponível em: <https://www.ingressomachupicchu.com/arquitetura-de-machu-picchu/>.

Descubra 10 segredos sobre Machu Picchu. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/viagem-e-aventura/2018/11/descubra-segredos-machu-picchu-imperio-inca-ruinas-peru>. Acesso em: 19 abr. 2025.

Inca. Disponível em: <https://www.historiadomundo.com.br/inca>.

Machu Picchu: Historia de Quem descobriu – Peru Hop. Disponível em: <https://www.peruhop.com/pt-br/machu-picchu-historia-de-quem-descobriu/>. Acesso em: 18 abr. 2025.

National Geographic Portugal. Os 4 fatos curiosos por trás de Machu Picchu. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/07/os-4-fatos-curiosos-por-tras-de-machu-picchu-um-dos-lugares-mais-emblematicos-do-peru>.

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