Biomas Brasileiros: Características, Importância e Ameaças

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By Éder Civitarese

Introdução

Este artigo propõe uma análise aprofundada dos biomas brasileiros. Estes complexos ecossistemas, que transcendem a mera paisagem, constituem repositórios inestimáveis de biodiversidade, exercem influência determinante sobre os padrões climáticos e fornecem recursos vitais para a sustentação da vida.

A compreensão de suas características intrínsecas, o reconhecimento de sua relevância ecológica e a identificação das ameaças contemporâneas que os afligem são imperativos para a construção de um futuro sustentável.

O que são Biomas?

Um bioma pode ser conceituado como uma vasta área geográfica caracterizada por um conjunto homogêneo de condições climáticas, geológicas e biológicas, que resultam em uma vegetação dominante e uma fauna adaptada a essas particularidades. 

No contexto brasileiro, a diversidade territorial se manifesta em seis biomas terrestres principais, cada qual com atributos singulares e intrínseca importância ecológica.

Mapa dos biomas brasileiros elaborado pelo IBGE

A Relevância dos Biomas Brasileiros

O Brasil, em virtude de suas dimensões continentais, detém uma notável variedade de biomas, o que lhe confere o status de nação mega diversa. Desde as densas formações florestais da Amazônia até as extensas áreas campestres do Pampa, passando pela exuberância da Mata Atlântica, a resiliência do Cerrado, a singularidade da Caatinga e a grandiosidade do Pantanal, cada bioma desempenha um papel crucial no equilíbrio ecológico nacional e global.

Esses ecossistemas representam berçários de vida, reguladores climáticos e fontes de recursos naturais que sustentam milhões de indivíduos. Contudo, essa riqueza encontra-se sob constante pressão, tornando necessário o conhecimento e a proteção desses patrimônios naturais.

Os Biomas Brasileiros em Detalhe

Amazônia: O Gigante Verde

A Amazônia é, sem dúvida, o bioma mais conhecido e emblemático do Brasil, e por boas razões. Ocupando cerca de 49% do território nacional, é a maior floresta tropical do mundo, um verdadeiro pulmão do planeta e um reservatório inestimável de biodiversidade. Sua imensidão se estende por nove países da América do Sul, mas é no Brasil que se encontra a maior parte de sua área.

Características da Amazônia

A vegetação amazônica é predominantemente uma floresta ombrófila densa, ou seja, uma floresta que ama a água. Isso se reflete em árvores de grande porte, densamente agrupadas, que formam um dossel fechado, criando um ambiente úmido e sombrio no sub-bosque.

A Amazônia é cortada por uma vasta rede de rios, incluindo o Rio Amazonas, o maior rio do mundo em volume de água, que influencia diretamente a dinâmica da floresta, com ciclos de cheias e secas que moldam a vida de suas espécies.

Bioma Amazônia

O solo, ao contrário do que muitos pensam, é geralmente arenoso e possui uma fina camada de nutrientes, formada pela decomposição rápida de folhas, frutos e animais. A umidade e o calor constantes são características marcantes do clima amazônico, impulsionados pela evapotranspiração da própria floresta.

Importância da Amazônia

A importância da Amazônia transcende as fronteiras brasileiras. A floresta amazônica é vital para o ciclo hidrológico, influenciando os padrões de chuva em grande parte da América do Sul, inclusive nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, através dos chamados “rios voadores”.

Sua biodiversidade é incomparável, abrigando milhões de espécies de plantas, animais e microrganismos, muitos dos quais ainda desconhecidos pela ciência. Essa riqueza biológica oferece um potencial imenso para a descoberta de novos medicamentos, alimentos e tecnologias, além de ser fundamental para a manutenção dos serviços ecossistêmicos que beneficiam a humanidade.

Ameaças e Desafios na Amazônia

Infelizmente, o gigante verde enfrenta ameaças colossais. O desmatamento é a principal delas, impulsionado principalmente pela expansão agropecuária (pecuária e cultivo de soja), garimpo ilegal, extração de madeira e construção de infraestruturas como hidrelétricas e estradas.

Essas atividades não apenas destroem a floresta, mas também causam a perda de biodiversidade, a contaminação de rios e solos, e podem intensificar as mudanças climáticas.

desmatamento amazonia

A conservação da Amazônia é um desafio complexo que exige esforços conjuntos do governo, da sociedade civil e da comunidade internacional, com a criação e fiscalização de unidades de conservação, o combate ao crime ambiental e o incentivo a práticas sustentáveis.

Mata Atlântica: Biodiversidade Ameaçada

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, comparável à Amazônia em termos de variedade de espécies. Originalmente, estendia-se por grande parte da costa brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, abrangendo 17 estados. No entanto, devido a séculos de exploração e ocupação humana, restam hoje apenas cerca de 12% de sua área original, tornando-a um dos biomas mais ameaçados do mundo.

Características da Mata Atlântica

A Mata Atlântica é caracterizada por uma vegetação exuberante e densa, com árvores de grande porte, epífitas (plantas que vivem sobre outras plantas, como orquídeas e bromélias) e uma rica variedade de samambaias e cipós.

mata atlantica

O clima predominante é o tropical úmido, com altos índices pluviométricos e temperaturas elevadas, influenciado pela proximidade com o Oceano Atlântico. Essa combinação de fatores climáticos e geográficos resulta em uma diversidade de formações florestais, desde as florestas ombrófilas densas no litoral até as florestas estacionais semideciduais no interior.

Importância da Mata Atlântica

Apesar de sua fragmentação, a Mata Atlântica continua sendo de extrema importância para o Brasil. Ela abriga uma biodiversidade impressionante, com milhares de espécies de plantas e animais, muitas delas endêmicas (que só existem nesse bioma).

Além disso, a Mata Atlântica desempenha um papel fundamental na regulação do clima, na proteção dos solos, na manutenção da qualidade e quantidade de água para abastecimento de grandes centros urbanos (cerca de 70% da população brasileira vive em áreas que dependem da Mata Atlântica), e na beleza cênica de suas paisagens, que impulsionam o turismo. Muitas bacias hidrográficas importantes nascem ou passam por esse bioma, como o Rio Tietê, essencial para a navegação e o abastecimento.

Ameaças e Desafios na Mata Atlântica

As ameaças à Mata Atlântica são históricas e persistentes. O desmatamento, que começou com a exploração do pau-brasil e a expansão da cana-de-açúcar, continua sendo a principal ameaça, impulsionado pela expansão agrícola, pecuária, crescimento urbano desordenado e especulação imobiliária.

A caça ilegal, a pesca predatória e o tráfico de animais e plantas também contribuem para a perda de biodiversidade. Apesar da existência de uma legislação específica para sua proteção (a Lei da Mata Atlântica), a fiscalização ainda é um desafio.

A conservação desse bioma exige a recuperação de áreas degradadas, a criação e efetivação de mais unidades de conservação, o combate às atividades ilegais e a conscientização da população sobre a importância de proteger o que resta desse patrimônio natural.

Cerrado: A Savana Brasileira

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e o mais biodiverso entre as savanas do mundo, abrangendo cerca de 25% do território brasileiro. Conhecido como o “berço das águas”, ele é crucial para o abastecimento de importantes bacias hidrográficas do país, como as do Rio Amazonas, São Francisco e Paraná.

Características do Cerrado

O Cerrado apresenta uma paisagem heterogênea, com formações que variam desde campos limpos (predominantemente gramíneas) até cerradões (formações florestais mais densas). Suas árvores são caracterizadas por troncos retorcidos, cascas grossas e folhas coriáceas, adaptações que as protegem do fogo e da escassez de água.

cerrado brasileiro

O clima predominante é o tropical sazonal, com duas estações bem definidas: um verão chuvoso e um inverno seco. Essa sazonalidade influencia diretamente a flora e a fauna, que desenvolveram mecanismos para sobreviver a esses períodos de estiagem.

Importância do Cerrado

A importância do Cerrado vai muito além de sua biodiversidade. Ele é um verdadeiro “hotspot” de biodiversidade, abrigando milhares de espécies de plantas e animais, muitas delas endêmicas. Além de ser uma fonte vital de água para o Brasil, o Cerrado também desempenha um papel fundamental na regulação climática e na manutenção da fertilidade do solo. Suas raízes profundas contribuem para a recarga de aquíferos e para a estabilidade hídrica de diversas regiões. A flora do Cerrado também possui grande potencial medicinal e alimentar, sendo utilizada por comunidades tradicionais há séculos.

Ameaças e Desafios no Cerrado

Apesar de sua imensa importância, o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do Brasil. O avanço da fronteira agrícola, principalmente para o cultivo de soja e a criação de gado, é a principal causa do desmatamento. A expansão urbana, a mineração e a construção de infraestruturas também contribuem para a degradação.

Os incêndios, muitas vezes provocados ou acidentais, são outra grande ameaça, impactando diretamente a flora e a fauna adaptadas ao fogo natural, mas não a incêndios de grande escala e frequência.

A conservação do Cerrado é um desafio urgente, pois apenas uma pequena porcentagem de sua área está protegida por unidades de conservação. É fundamental promover o uso sustentável dos recursos, incentivar a agricultura de baixo impacto e fortalecer a fiscalização para garantir a proteção desse bioma tão vital.

Caatinga: O Sertão Vivo

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, ocupando cerca de 10% do território nacional, predominantemente na região Nordeste. Seu nome, de origem tupi-guarani, significa “mata branca”, uma referência à paisagem esbranquiçada que assume durante a estação seca, quando a maioria das plantas perde suas folhas.

Características da Caatinga

O clima da Caatinga é tropical semiárido, com temperaturas elevadas e chuvas escassas e irregulares. A vegetação é adaptada a essas condições extremas, com plantas xerófilas (resistentes à seca), como cactos, bromélias e árvores de pequeno porte com troncos tortuosos e espinhos. Muitas espécies possuem mecanismos de armazenamento de água e perdem suas folhas para reduzir a transpiração durante a seca. Apesar da aparente aridez, a Caatinga é rica em biodiversidade, com muitas espécies endêmicas que desenvolveram adaptações únicas para sobreviver.

Importância da Caatinga

A Caatinga é de fundamental importância para o Brasil, abrigando uma biodiversidade singular e desempenhando um papel crucial na regulação climática e na manutenção da biodiversidade no país. Suas espécies vegetais e animais são adaptadas a um ambiente de escassez hídrica, o que as torna valiosas para estudos de resiliência e para o desenvolvimento de tecnologias para regiões áridas.

bioma caatinga no nordeste do Brasil

Além disso, a Caatinga é o lar de milhões de pessoas, incluindo comunidades tradicionais que dependem diretamente de seus recursos para subsistência, utilizando a flora para alimentação, medicina e artesanato.

Ameaças e Desafios na Caatinga

As ameaças à Caatinga são significativas e incluem o desmatamento para a produção de lenha e carvão vegetal, a expansão da agropecuária, a mineração e a desertificação, um processo de degradação do solo que é intensificado pelas mudanças climáticas e pelo uso inadequado da terra.

A Caatinga é um dos biomas menos protegidos por unidades de conservação no Brasil, o que a torna ainda mais vulnerável. A conservação desse bioma exige a valorização de seus aspectos naturais e culturais, o incentivo a práticas agrícolas sustentáveis, o combate à desertificação e a criação e efetivação de mais áreas protegidas, garantindo a sobrevivência de suas espécies únicas e das comunidades que nela habitam.

Pampa: Os Campos do Sul

O Pampa, também conhecido como Campos Sulinos, é um bioma que ocupa cerca de 2% do território brasileiro, restrito ao estado do Rio Grande do Sul. Caracterizado por vastas extensões de campos, coxilhas (colinas suaves) e uma rica biodiversidade de gramíneas, o Pampa é um patrimônio natural e cultural de grande importância.

Características do Pampa

O clima do Pampa é subtropical, com as quatro estações do ano bem definidas, invernos rigorosos e verões quentes. A vegetação é predominantemente campestre, com a presença de gramíneas, herbáceas e algumas árvores e arbustos isolados, especialmente ao longo dos cursos d’água.

pampa gaucho

Essa formação vegetal é resultado de condições paleoclimáticas glaciais e é adaptada ao pastejo de grandes herbívoros, o que historicamente favoreceu a pecuária na região. O relevo é suavemente ondulado, com a presença de coxilhas que dão um charme especial à paisagem.

Importância do Pampa

Apesar de sua aparente simplicidade, o Pampa é um bioma de importância global. Ele abriga uma biodiversidade significativa, com muitas espécies de aves, mamíferos e insetos, além de uma flora campestre única.

O Pampa desempenha um papel crucial na manutenção da qualidade da água, na regulação do clima e na conservação do solo. É também no Pampa que se encontra grande parte do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do mundo. Além disso, o bioma possui um imenso patrimônio cultural, ligado à cultura gaúcha e à pecuária tradicional, que moldou a identidade da região.

Ameaças e Desafios no Pampa

O Pampa é considerado um dos biomas mais ameaçados do Brasil, com uma alta taxa de perda de vegetação nativa. As principais ameaças incluem a expansão da monocultura de grãos (especialmente soja), a silvicultura (plantação de árvores exóticas para fins comerciais), a introdução de espécies exóticas invasoras e o uso intensivo do solo para a pecuária. Essas atividades resultam na perda de biodiversidade, degradação do solo, contaminação da água por agrotóxicos e alteração da paisagem natural.

A conservação do Pampa exige a implementação de políticas públicas que incentivem a produção sustentável, a criação e ampliação de unidades de conservação, o manejo adequado do gado e a valorização da cultura local, buscando um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.

Pantanal: O Santuário das Águas

O Pantanal é a maior planície alagável do mundo e um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do planeta. Localizado principalmente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Brasil, estende-se também por partes da Bolívia e do Paraguai. É um Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela UNESCO, reconhecido por sua beleza cênica e sua importância ecológica.

Características do Pantanal

A principal característica do Pantanal é seu regime de cheias e secas, que inunda grande parte da planície durante a estação chuvosa e forma uma infinidade de lagos, lagoas e corixos na estação seca. Esse ciclo hidrológico anual é o que molda a paisagem e a vida no bioma, criando um mosaico de diferentes formações vegetais, como campos, savanas, florestas e áreas úmidas.

bioma Pantanal caracterizado pela planície alagada

O clima é tropical típico, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos. A fauna pantaneira é exuberante, com uma concentração impressionante de aves, mamíferos, répteis e peixes, muitos deles adaptados a esse ambiente aquático.

Importância do Pantanal

A importância do Pantanal é imensa, tanto em nível local quanto global. Ele atua como uma gigantesca “esponja natural”, absorvendo a água das chuvas e regulando o fluxo dos rios, o que ajuda a prevenir enchentes e a manter o abastecimento hídrico em outras regiões.

Sua biodiversidade é uma das mais ricas do mundo, com espécies icônicas como a onça-pintada, a arara-azul e o jacaré. Além disso, o Pantanal é fundamental para a regulação climática, contribuindo para a evapotranspiração e a formação de chuvas. A pesca, o ecoturismo e a pecuária extensiva são atividades econômicas importantes na região, que dependem diretamente da saúde do bioma.

Ameaças e Desafios no Pantanal

O Pantanal, apesar de sua resiliência, enfrenta sérias ameaças. Os incêndios florestais, muitos deles criminosos ou acidentais, têm se tornado mais frequentes e intensos, agravados por períodos de seca prolongada e pelas mudanças climáticas.

O desmatamento no planalto, nas áreas de cabeceira dos rios que alimentam o Pantanal, causa assoreamento e contaminação da água. A construção de hidrelétricas, a expansão da agropecuária e a caça e pesca ilegais também representam grandes desafios.

A conservação do Pantanal exige um manejo integrado da bacia hidrográfica, o combate aos incêndios, a fiscalização rigorosa das atividades ilegais e o incentivo a práticas sustentáveis que conciliem a produção com a preservação do meio ambiente. É crucial proteger esse santuário de vida para as futuras gerações.

A Importância da Conservação

Após mergulharmos nas particularidades de cada bioma brasileiro, fica evidente que a conservação dessas riquezas naturais não é apenas uma questão ambiental, mas uma necessidade intrínseca para a sobrevivência e o bem-estar da humanidade. A saúde dos biomas está diretamente ligada à nossa qualidade de vida, à economia e ao futuro do planeta.

Serviços Ecossistêmicos

Os biomas nos fornecem uma série de “serviços ecossistêmicos” vitais, muitas vezes invisíveis e subestimados. Eles são como o suporte de vida do nosso planeta. Entre os principais, podemos destacar:

•Regulação Climática: Florestas como a Amazônia e a Mata Atlântica atuam como reguladores térmicos e pluviométricos, influenciando o clima em escala local, regional e até global.

•Recursos Hídricos: Os biomas são verdadeiras “caixas d’água” naturais. Eles garantem a recarga de aquíferos, a manutenção de nascentes e rios, e a qualidade da água que chega às nossas torneiras. O Cerrado, por exemplo, é o berço de grandes bacias hidrográficas, e o Pantanal regula o fluxo de água em uma vasta região.

•Biodiversidade: A riqueza de espécies de fauna e flora é um tesouro genético inestimável. Essa biodiversidade é a base para a pesquisa científica, o desenvolvimento de novos medicamentos, alimentos e materiais, e a resiliência dos ecossistemas frente a distúrbios.

•Polinização: Muitos cultivos agrícolas dependem da polinização realizada por insetos e outros animais que vivem nos biomas, garantindo a produção de alimentos.

•Controle de Erosão e Fertilidade do Solo: A vegetação nativa protege o solo da erosão causada pela chuva e pelo vento, além de contribuir para a formação e manutenção de solos férteis, essenciais para a agricultura.

•Beleza Cênica e Recreação: A beleza natural dos biomas proporciona oportunidades para o ecoturismo, a recreação e o bem-estar humano, gerando renda e promovendo a conexão com a natureza.

onça pintada

Consequências da Degradação

A degradação dos biomas, por outro lado, acarreta uma série de consequências desastrosas, que já estamos sentindo e que se agravarão se não houver uma mudança de rumo:

•Perda de Biodiversidade: A destruição de habitats leva à extinção de espécies, muitas delas antes mesmo de serem descobertas. Isso empobrece o planeta e reduz nossa capacidade de encontrar soluções para desafios futuros.

•Mudanças Climáticas: O desmatamento libera grandes quantidades de carbono na atmosfera, intensificando o efeito estufa e podendo contribuir para o aquecimento global. A alteração dos padrões de chuva e o aumento de eventos extremos (secas e enchentes) são reflexos diretos.

•Escassez Hídrica: A destruição das florestas e da vegetação nativa compromete a capacidade dos biomas de reter e regular a água, levando à diminuição da disponibilidade hídrica, especialmente em regiões que dependem desses recursos.

•Desertificação e Degradação do Solo: A remoção da vegetação expõe o solo à erosão, tornando-o infértil e suscetível à desertificação, como já ocorre em partes da Caatinga.

•Impactos Sociais e Econômicos: A degradação ambiental afeta diretamente as comunidades que dependem dos recursos naturais para sua subsistência, gerando conflitos, migrações e perdas econômicas para setores como a agricultura, pesca e turismo. Além disso, a saúde humana é impactada pela poluição e pela proliferação de doenças.

Proteger os biomas é, portanto, proteger a nós mesmos e as futuras gerações. É um investimento no nosso próprio futuro.

Soluções e Ações para o Futuro

Diante do cenário de ameaças, é fundamental que a sociedade, o governo e o setor privado unam esforços para implementar soluções eficazes e promover a conservação dos biomas brasileiros. A boa notícia é que existem caminhos e iniciativas promissoras.

Políticas Públicas e Legislação

O Brasil possui um arcabouço legal importante para a proteção ambiental, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica. No entanto, a efetividade dessas leis depende de sua fiscalização e do combate à impunidade.

É crucial fortalecer os órgãos ambientais, investir em tecnologia para monitoramento do desmatamento e das queimadas, e garantir a aplicação rigorosa das sanções para crimes ambientais.

Além disso, a criação e ampliação de Unidades de Conservação (UCs), tanto de proteção integral quanto de uso sustentável, são estratégias comprovadamente eficazes para proteger áreas de alta biodiversidade e garantir a manutenção dos serviços ecossistêmicos.

Iniciativas de Conservação

Diversas iniciativas, tanto governamentais quanto da sociedade civil, têm contribuído para a conservação dos biomas:

•Restauração Ecológica: Projetos de recuperação de áreas degradadas, como o plantio de mudas nativas e a regeneração natural, são essenciais para reconectar fragmentos de floresta e restaurar a saúde dos ecossistemas.

•Incentivo à Produção Sustentável: A promoção de práticas agrícolas e pecuárias de baixo impacto, como a agroecologia, a agricultura familiar sustentável e a pecuária extensiva bem manejada, pode conciliar a produção de alimentos com a conservação ambiental. Certificações de produtos sustentáveis também são importantes para o consumidor.

•Bioeconomia: O desenvolvimento de atividades econômicas baseadas no uso sustentável da biodiversidade, como o manejo florestal sustentável, o ecoturismo e a produção de cosméticos e medicamentos a partir de recursos nativos, pode gerar renda e valorizar a floresta em pé.

•Educação Ambiental: A conscientização da população sobre a importância dos biomas e os impactos da degradação é fundamental para mudar hábitos de consumo e engajar mais pessoas na causa ambiental.

•Pesquisa Científica: O investimento em pesquisa é crucial para aprofundar o conhecimento sobre os biomas, suas espécies e os processos ecológicos, subsidiando a tomada de decisões e o desenvolvimento de novas soluções.

educação ambiental. projeto com crianças realizando o plantio de mudas de árvore

O Papel de Cada Um

A conservação dos biomas não é responsabilidade apenas do governo ou de grandes organizações. Cada indivíduo tem um papel a desempenhar:

•Consumo Consciente: Reduzir o consumo de produtos que contribuem para o desmatamento ilegal, preferir produtos certificados e reciclar são atitudes que fazem a diferença.

•Apoio a Iniciativas: Contribuir com organizações e projetos que atuam na conservação dos biomas, seja por meio de doações ou voluntariado.

•Informação e Engajamento: Buscar informações em fontes confiáveis, compartilhar conhecimento e participar de debates sobre questões ambientais.

•Denúncia: Denunciar atividades ilegais que ameacem os biomas, como desmatamento, queimadas e tráfico de animais.

Ao adotarmos essas práticas e nos engajarmos na proteção dos biomas, contribuímos para um futuro mais equilibrado e próspero para o Brasil e para o mundo.

Conclusão

Nossa jornada pelos biomas brasileiros nos revelou a grandiosidade e a fragilidade de um patrimônio natural sem igual. Da imensidão da Amazônia à resiliência da Caatinga, da exuberância da Mata Atlântica à vitalidade do Pantanal, e da singularidade do Cerrado aos campos do Pampa, cada bioma é um elo insubstituível na teia da vida. Ameaçados por pressões crescentes, eles clamam por nossa atenção e ação.

A conservação desses ecossistemas não é uma opção, mas uma urgência. É a garantia de água, ar puro, clima estável, alimentos e biodiversidade para as gerações presentes e futuras. É um compromisso com a vida em sua plenitude. Que este artigo sirva não apenas como fonte de conhecimento, mas como um chamado à ação. Que cada um de nós se torne um guardião desses tesouros, transformando a informação em atitude e a conscientização em proteção. O futuro dos biomas brasileiros está em nossas mãos.

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REFERÊNCIAS

ALHO, C. J. R.; MAMEDE, S. B.; BENITES, M.; ANDRADE, B. S. Ameaças à biodiversidade do Pantanal Brasileiro pelo uso e ocupação da terra. Ambiente & Sociedade, v. 22, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/asoc/a/BqQNwh94qn5g9kh56FZchYj/?lang=pt. Acesso em: 18 ago. 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Pampa. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/biomas/pampa. Acesso em: 18 ago. 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Pantanal. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/biomas/pantanal. Acesso em: 18 ago. 2025.

EMBRAPA. Bioma Caatinga. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/tematicas/bioma-caatinga. Acesso em: 18 ago. 2025.

EMBRAPA. Bioma Cerrado. Disponível em: https://www.embrapa.br/cerrados/colecao-entomologica/bioma-cerrado. Acesso em: 18 ago. 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE FLORESTAS (IBF). Bioma Mata Atlântica. Disponível em: https://www.ibflorestas.org.br/bioma-mata-atlantica. Acesso em: 18 ago. 2025.

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