Recentemente, uma descoberta arqueológica impressionante chamou a atenção do mundo: vestígios de uma antiga cidade submersa foram localizados nas águas do litoral de Alexandria, no Egito. A cidade, com mais de 2.000 anos, pode ser uma extensão da histórica Canopus, e apresenta ruínas, estátuas e artefatos raros datados dos períodos ptolomaico e romano.
Neste artigo, você vai conhecer todos os detalhes desse achado e entender melhor a importância histórica e cultural desse patrimônio submerso.
Tópicos deste artigo
A descoberta em Alexandria: cidade submersa na Baía de Abu Qir
O que foi encontrado?
Arqueólogos e mergulhadores recuperaram diversos artefatos e estruturas submersas na região da Baía de Abu Qir, próximo a Alexandria. Entre os achados, destacam-se:
- Edifícios de calcário que parecem ter funcionado como templos, residências e locais comerciais ou industriais;
- Reservatórios esculpidos na rocha para armazenamento de água potável e lagoas para cultivo de peixes;
- Estátuas de figuras reais, como uma esfinge da era pré-romana e a imagem parcialmente preservada do faraó Ramsés II;
- Estátuas danificadas, como uma figura ptolomaica sem cabeça e esculturas romanas em mármore;
- Restos de um cais de 125 metros, com um navio mercante antigo, âncoras de pedra e um guindaste portuário das épocas ptolomaica e romana.
Quem divulgou a descoberta?
O Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito, representado pelo ministro Sherif Fathi, divulgou oficialmente os achados em 21 de agosto de 2025 e declarou: “Há muita coisa debaixo d’água, mas o que conseguimos trazer à tona é limitado, é apenas material específico de acordo com critérios rigorosos”.
Importante destacar que a retirada das peças do mar foi realizada com equipamentos especiais e critérios rigorosos para preservar o patrimônio.
Contexto histórico: Canopus, Alexandria e Heracleion
Canopus: uma cidade perdida no tempo
Canopus foi uma cidade chave nos períodos ptolomaico e romano. Prosperou como centro religioso e comercial, mas acabou submersa devido a terremotos e ao aumento do nível do mar. A nova descoberta pode indicar uma extensão ou conexão direta com Canopus, ampliando nosso conhecimento sobre o passado egípcio mediterrâneo.
Alexandria: a joia da dinastia ptolomaica
Fundada por Alexandre, o Grande, Alexandria foi uma das maiores cidades da antiguidade, destacando-se pelo seu farol – uma das sete maravilhas do mundo antigo – e sua biblioteca lendária. Porém, ela enfrenta riscos similares de submersão, causada pelo aumento do nível das águas e o afundamento do solo.
Heracleion: outra cidade submersa vizinha
Próxima a Canopus, Heracleion também foi engolida pelo mar. O porto de Heracleion foi importante para o comércio no Mediterrâneo durante a antiguidade, e atualmente suas ruínas submersas fornecem informações valiosas sobre a civilização egípcia antiga.
Significado da descoberta para a arqueologia e o turismo
Avanços no estudo da antiguidade
As escavações subaquáticas em Alexandria enriquecem nosso conhecimento sobre o Egito ptolomaico e o contexto romano, especialmente pela variedade de artefatos e pela preservação das ruínas. O estudo dos reservatórios e do porto oferece insights únicos sobre o modo de vida, economia e tecnologia da época.
Preservação do patrimônio submerso
O Egito tem um rico patrimônio arqueológico submerso, mas enfrenta desafios para protegê-lo dos efeitos naturais e do turismo descontrolado. Projetos de conservação e regulamentação ambiental são essenciais para impedir a perda desses tesouros históricos.
Potencial turístico e educacional
As descobertas atraem não apenas pesquisadores, mas também turistas e entusiastas de história, impulsionando o turismo cultural no Egito. As instituições locais e internacionais podem usar o achado para sensibilizar o público sobre a importância da preservação arqueológica.
O futuro de Alexandria diante da crise climática
O risco do afundamento da cidade
Alexandria apresenta uma situação preocupante: devido à crise climática e ao afundamento natural do solo (mais de 3 mm ao ano), a cidade corre o risco de ficar parcialmente submersa até 2050. Estudos indicam que cerca de um terço da área pode se tornar inabitável no cenário otimista.
A importância do planejamento urbano sustentável
Para enfrentar esse desafio, são necessárias políticas eficazes que envolvam controle do nível do mar, proteção das áreas costeiras e adaptação urbana. O exemplo histórico revive o alerta para as cidades modernas que enfrentam ameaças semelhantes.
Conceitos e fatos importantes
Dinastia Ptolomaica
A dinastia ptolomaica governou o Egito entre 323 a.C. e 30 a.C., iniciada por Ptolomeu I, um general de Alexandre, o Grande. Esse período foi marcado pela mistura da cultura grega com a egípcia, influenciando arquitetura, religião e economia.
Patrimônio submerso
Termo usado para descrever sítios arqueológicos, construções e artefatos que se encontram submersos sob mares, rios e lagos. A preservação desses locais requer técnicas específicas de arqueologia subaquática.
Impactos do aumento do nível do mar
O derretimento das geleiras e o aquecimento global provocam elevação dos oceanos, ameaçando áreas costeiras, ecossistemas e patrimônios históricos, como no caso de Alexandria.
Conclusão
A descoberta da cidade submersa próxima a Alexandria revela um capítulo fascinante da história do Egito antigo, trazendo à luz ruínas e artefatos que enriquecem nosso entendimento cultural.
Além disso, evidencia os riscos atuais que essa região enfrenta frente às mudanças climáticas. Para continuar sua jornada pelo conhecimento, convidamos você a explorar outros artigos do Mapeando Conhecimentos sobre arqueologia, história antiga e patrimônio cultural.
REFERÊNCIAS
FABIO PREVIDELLI. Vestígios de cidade submersa de 2 mil anos são encontrados no Egito – Aventuras na História. Disponível em: <https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/vestigios-de-cidade-submersa-de-2-mil-anos-sao-encontrados-no-egito.phtml>. Acesso em: 24 ago. 2025.
Egito revela vestígios de cidade submersa com mais de 2 mil anos; FOTOS. Disponível em: <https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2025/08/21/egito-revela-vestigios-de-cidade-submersa-com-mais-de-2-mil-anos-fotos.ghtml>. Acesso em: 24 ago. 2025.