INTRODUÇÃO
O El Niño e a La Niña são fenômenos climáticos interligados que fazem parte de um sistema maior conhecido como Oscilação Sul do El Niño (ENOS). Esse sistema ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e na atmosfera que o envolve.
A fase El Niño é caracterizada pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, resultando em temperaturas superiores à média histórica. Em contraste, a fase La Niña ocorre quando essas águas estão mais frias do que o normal.
As variações de temperatura no oceano têm um impacto significativo nos padrões climáticos globais, afetando a circulação atmosférica, o transporte de umidade, e, consequentemente, a temperatura e a precipitação em diversas regiões do mundo.
Compreender esses fenômenos é essencial, pois suas consequências podem influenciar desde a agricultura até a ocorrência de desastres naturais em diferentes partes do planeta.
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O QUE É O FENÔMENO EL NIÑO?
El Niño é um fenômeno climático que resulta da interação entre fatores atmosféricos e oceânicos, especialmente no Oceano Pacífico. Esse fenômeno é caracterizado pelo aumento das temperaturas das águas superficiais do oceano, que podem ser significativamente mais altas do que a média histórica.
Esse aquecimento das águas do Pacífico tem um impacto profundo nos padrões climáticos globais. Como resultado, El Niño pode provocar eventos climáticos extremos, como secas em algumas áreas e chuvas intensas em outras, influenciando a agricultura, a disponibilidade de água e até mesmo a ocorrência de desastres naturais.
Mas então por que ocorre esse aquecimento fora do padrão? Bom, aí precisamos antes compreender como funciona a dinâmica dos ventos alísios e da corrente de Humboldt em situação de normalidade.
VENTOS ALÍSIOS
Os ventos alísios são formados pelo deslocamento das massas de ar frio em zonas de alta pressão dos trópicos para a zona equatorial de baixa pressão. Como o ar quente é mais leve que o ar frio, as circulações de ar ocorrem por meio das diferenças de pressão atmosférica.

No hemisfério norte os alísios sopram de nordeste para sudoeste, sendo chamados de alísios do Norte.
Já no hemisfério sul, os alísios do Sul, sopram de sudeste para noroeste.
CORRENTE DE HUMBOLDT
Agora vamos entender a Corrente de Humboldt. Também conhecida como Corrente do Peru, tem sua origem perto da Antártida e se desloca no sentido norte do Oceano Pacífico passando pela costa ocidental da América do Sul, nos litorais do Chile e do Peru.

Ela é considerada a mais fria do mundo, com uma temperatura aproximadamente 8º C abaixo da média do oceano.
A Corrente de Humboldt é uma corrente de ressurgência, e aí temos mais um conceito para entendermos.
A ressurgência é um fenômeno oceanográfico que ocorre quando águas profundas e frias sobem para a superfície, substituindo as águas superficiais mais quentes.

Quando os ventos alísios estão em condição de normalidade no pacífico equatorial, eles empurram a camada superficial de água mais quente para a direção oeste, atingindo principalmente o sudeste asiático e a Oceania, resultando na ressurgência da água mais fria e densa trazida pela Corrente de Humboldt.
Dessa forma, a Corrente de Humboldt também impacta no clima da região, ajudando a manter a costa do Peru e do Chile mais fria do que outras regiões na mesma latitude.
Além disso, as águas mais frias e profundas provenientes da corrente de humboldt trazem nutrientes para a superfície, promovendo a produtividade biológica e sustentando ecossistemas marinhos ricos em vida.
Esta corrente faz com que a costa do Peru e do Chile sejam uma das maiores áreas de pesca do mundo, com aproximadamente 20% da pesca mundial.
COMO OCORRE O El NIÑO?
Agora que entendemos a dinâmica do Corrente de Humboldt e dos ventos alísios, vamos passar a compreender o fenômeno da El Niño propriamente dito.
Quando estamos sob a influência do fenômeno El Niño, os ventos alísios se enfraquecem. Em consequência, ocorre também uma redução no fenômeno de ressurgência. Essa diminuição da ressurgência leva a uma concentração de águas quentes no centro-sul do oceano pacífico, em especial na costa do Peru e do Chile.

Por sua vez, a costa Leste Australiana deixa de receber as águas quentes empurradas pelos ventos alísios na mesma intensidade, passando a ficar com as águas mais frias.
As águas frias que ficam “represadas” mais a oeste do Pacífico evaporam menos e tendem a causar um período de seca no sudeste asiático e na Austrália.

No Brasil, a redução dos ventos alísios permite um maior avanço da Massa Equatorial Continental (MEC) para as regiões sul e sudeste, provocando um aumento da temperatura e do volume de chuvas que podem resultar em prejuízos sociais e econômicos devido às enchentes e danos à produção rural.

Já o Norte e Nordeste Brasileiro sofrem uma redução no volume de chuvas, implicando em graves prejuízos à agropecuária e favorecendo a ocorrência de queimadas.
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REFERÊNCIAS
El Niño e La Niña – CPTEC/INPE. Disponível em: <http://enos.cptec.inpe.br/>.
El Niño (Fenômeno El Niño-Oscilação Sul – ENOS) – MegaWhat. Disponível em: <https://megawhat.energy/glossario/el-nino/>. Acesso em: 15 mar. 2025.
FREITAS, Eduardo de. “Corrente de Humboldt”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/corrente-humboldt.htm. Acesso em 15 de março de 2025.
El niño e la niña – Educação. Disponível em: <http://educacao.globo.com/artigo/el-nino-e-la-nina.html>. Acesso em: 15 mar. 2025.
El Niño. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/el-nino.htm>.
El Niño influenciará regiões brasileiras nos próximos meses. Disponível em: <https://www.letrasambientais.org.br/posts/el-nino-influenciara-regioes-brasileiras-nos-proximos-meses>. Acesso em: 16 mar. 2025.
Ventos Alísios. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/ventos-alisios/>.