Atualidades ENEM 2026: 5 Temas de Geopolítica que Podem Cair

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By Éder Civitarese

A prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) consolidou-se, ao longo dos anos, como uma das avaliações mais exigentes do país no que diz respeito à leitura crítica e à interpretação aprofundada do mundo contemporâneo. Longe de ser um mero teste de memorização de datas históricas, nomes de tratados ou capitais de países, o ENEM exige que o candidato demonstre uma capacidade analítica aguçada para compreender as complexas engrenagens que movem a política internacional, a economia globalizada e as intrincadas relações de poder entre as nações. É exatamente nesse cenário de exigência analítica que a geopolítica deixa de ser apenas um tópico do edital para se tornar a protagonista absoluta e o fio condutor de dezenas de questões da prova.

Para a edição do ENEM 2026, o cenário internacional oferece um verdadeiro prato cheio para os elaboradores das questões do INEP. O mundo atual atravessa um período de transição estrutural profunda e, muitas vezes, turbulenta. Estamos testemunhando o fim definitivo da ordem unipolar que marcou o período pós-Guerra Fria e o surgimento de um sistema multipolar fragmentado. Esse novo cenário é marcado pelo retorno agressivo de políticas protecionistas e nacionalistas, pela reconfiguração acelerada de alianças estratégicas no chamado Sul Global, por conflitos armados assimétricos que ameaçam a segurança energética mundial e, de forma transversal a tudo isso, por uma urgência climática inegável que colocou o Brasil, com sua vasta biodiversidade, no centro das atenções e das pressões diplomáticas mundiais.

No entanto, o maior erro que um estudante pode cometer durante a sua preparação é tentar entender esses eventos de forma isolada, como se fossem notícias desconexas em um jornal. O verdadeiro segredo para gabaritar as questões de atualidades e de geografia política no ENEM é dominar a arte da interdisciplinaridade. A banca examinadora espera que você saiba responder a perguntas complexas: Como uma guerra envolvendo o Irã no Oriente Médio afeta diretamente o preço do pão e do transporte público no Brasil? Como a disputa tecnológica por microchips entre duas superpotências (EUA e China) altera a produção industrial global e gera inflação? Como as decisões políticas e econômicas tomadas durante a COP30 na Amazônia impactam não apenas o futuro do clima do planeta, mas também as exportações do agronegócio brasileiro?

Para ajudar você a construir esse raciocínio crítico e interconectado, preparamos este artigo especial e extremamente aprofundado. Vamos destrinchar, com riqueza de detalhes e dados atualizados, os cinco temas de geopolítica mais quentes, relevantes e prováveis de aparecerem nas provas do ENEM 2026. Este é um material desenhado não apenas para informar, mas para focar nas causas estruturais, nas consequências globais e, principalmente, nas conexões históricas e geográficas que a banca examinadora adora cobrar nas questões de múltipla escolha e que podem servir como um excelente repertório sociocultural para a sua redação.

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1. A Nova Guerra Comercial: EUA, China e o “Tarifaço” Global

O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe de volta ao centro do debate econômico mundial a política do “America First” (América em Primeiro Lugar). O ano de 2026 começou sob a sombra de uma nova e agressiva guerra comercial, caracterizada pela imposição de tarifas generalizadas sobre produtos importados, um movimento que desafia décadas de globalização e livre comércio.

O Contexto Histórico e a Escalada da Disputa

A rivalidade entre Estados Unidos e China não é um fenômeno recente, mas atingiu um novo e perigoso patamar na segunda metade da década de 2020. Para entender essa dinâmica, o estudante precisa voltar os olhos para a transição do modelo econômico chinês. A China deixou de ser apenas a “fábrica do mundo” — produtora de bens de baixo valor agregado e mão de obra barata — para se tornar uma potência tecnológica de ponta, capaz de rivalizar e, em alguns setores, superar a capacidade de inovação estadunidense.

Não se trata mais de quem vende mais brinquedos ou roupas, mas de uma disputa feroz pela hegemonia tecnológica do século XXI. O campo de batalha principal é o domínio sobre a inteligência artificial (IA), a computação quântica, as redes de telecomunicações 5G e 6G e, fundamentalmente, a produção de semicondutores (microchips). Os semicondutores são o “petróleo do século XXI”, componentes essenciais para absolutamente tudo: desde smartphones e servidores de internet até mísseis balísticos de precisão, satélites militares e carros elétricos autônomos. Quem controla a cadeia de suprimentos dos microchips, controla o futuro da economia e da guerra.

Para proteger sua indústria nacional, tentar frear o avanço tecnológico chinês e forçar o retorno de fábricas para o território americano (movimento conhecido como reshoring), o governo dos Estados Unidos implementou o que ficou conhecido globalmente como o “tarifaço”. Em fevereiro de 2026, após uma série de intensas batalhas judiciais que chegaram até a Suprema Corte dos EUA, o presidente Donald Trump estabeleceu uma tarifa global de 15% sobre importações de todos os países, além de manter e ampliar sobretaxas específicas e punitivas muito mais altas direcionadas exclusivamente contra a China [1]. Essa medida representa uma ruptura drástica com as políticas de livre comércio que os próprios EUA promoveram desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Como isso afeta o Brasil e o Mundo?

A imposição de tarifas altera as rotas comerciais globais. Quando os EUA taxam a China, os produtos chineses ficam mais caros no mercado americano. Isso pode gerar dois efeitos principais que o ENEM adora explorar:

  1. Desvio de Comércio: Países como o Brasil podem se beneficiar ao substituir a China no fornecimento de certos produtos para os EUA, ou substituir os EUA no fornecimento de produtos agrícolas (como a soja) para a China. De fato, análises econômicas do início de 2026 apontaram que o Brasil e a China foram os países que mais conseguiram renegociar e reduzir o impacto médio dessas novas tarifas, demonstrando a complexidade das negociações bilaterais [1].
  2. Inflação Global e Protecionismo: O aumento de tarifas encarece os produtos para o consumidor final americano e pode gerar uma onda de retaliações (outros países também passam a taxar produtos americanos), enfraquecendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o multilateralismo.

Como pode cair na prova?

  • Geografia Econômica: Questões sobre a crise da globalização, o retorno do protecionismo estatal e a reconfiguração das Cadeias Globais de Valor (CGV).
  • História: Comparações com a crise de 1929 e as políticas protecionistas adotadas na década de 1930, que agravaram a Grande Depressão.
  • Tecnologia: A importância estratégica dos semicondutores e a dependência global de poucos polos produtores, como Taiwan.

2. A Intervenção na Venezuela e a “Nova” Doutrina Monroe

A América Latina voltou a ser o foco das atenções da política externa estadunidense de forma drástica no início de 2026. A operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, chocou a comunidade internacional e reacendeu debates históricos sobre soberania e intervencionismo [2].

venezuela

O Cenário Venezuelano

A Venezuela possui as maiores reservas provadas de petróleo do mundo. No entanto, o país atravessa há anos uma crise econômica, política e humanitária sem precedentes, agravada por sanções internacionais e má gestão estatal. A justificativa oficial para a intervenção americana baseou-se em acusações de narcoterrorismo e ameaça à segurança regional, mas analistas geopolíticos apontam para o interesse estratégico no controle das reservas energéticas venezuelanas, especialmente em um momento de instabilidade no Oriente Médio.

Após a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder, mantendo a linha ideológica do governo, mas sinalizando uma possível abertura para negociações, o que demonstra a volatilidade e a complexidade da política interna do país vizinho ao Brasil [2].

A Sombra da Doutrina Monroe e o Neocolonialismo

O aspecto mais cobrável desse evento no ENEM, e que exige profunda atenção dos candidatos, é a sua justificativa ideológica e histórica. A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, atualizada e divulgada no final de 2025, fez referências explícitas e diretas à Doutrina Monroe, ressuscitando um fantasma diplomático do século XIX.

Criada em 1823 pelo presidente James Monroe sob o célebre lema “A América para os americanos”, a doutrina originalmente visava impedir a recolonização europeia no continente recém-independente. No entanto, na prática histórica, ela serviu como base legal e moral para consolidar a América Latina como área de influência exclusiva, uma espécie de “quintal estratégico” dos Estados Unidos. Ao longo do século XX, essa doutrina justificou inúmeras intervenções militares, apoio a golpes de Estado e pressões econômicas na região, desde a América Central até o Cone Sul.

A retomada dessa retórica em pleno 2026 não é um mero saudosismo histórico. Combinada com o endurecimento severo do embargo econômico a Cuba — que gerou uma crise energética e humanitária sem precedentes na ilha caribenha ao longo do ano —, essa postura sinaliza uma estratégia agressiva de Washington. O objetivo central é afastar a crescente e incômoda influência econômica e militar da China e da Rússia na América do Sul. A China, por exemplo, tornou-se o principal parceiro comercial de quase todos os países sul-americanos, incluindo o Brasil, investindo pesadamente em infraestrutura, portos e energia, o que os EUA enxergam como uma ameaça direta à sua segurança hemisférica. Leia nosso artigo sobre a Nova Rota da Seda: Infraestrutura e Geopolítica global.

Como pode cair na prova?

  • História da América: A evolução das relações entre EUA e América Latina, desde a Doutrina Monroe, passando pela Política do Big Stick (Theodore Roosevelt), a Guerra Fria e as ditaduras militares, até o cenário atual.
  • Geopolítica do Petróleo: A importância das reservas venezuelanas e como o controle energético dita as regras da diplomacia internacional.
  • Direito Internacional: O papel da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Conselho de Segurança diante de intervenções militares unilaterais que ferem o princípio da autodeterminação dos povos.

3. O Barril de Pólvora no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz

O Oriente Médio é presença garantida em quase todas as edições do ENEM. Em 2026, a região atingiu um nível de tensão alarmante, expandindo o foco tradicional do conflito Israel-Palestina para um embate direto envolvendo o Irã, Israel e os Estados Unidos.

Estreito de ormuz

A Escalada do Conflito

O final de fevereiro de 2026 foi marcado por ataques diretos ao território iraniano, resultando na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Esse evento sem precedentes colocou a região à beira de uma guerra regional de grandes proporções [2].

O Irã não é apenas uma potência militar regional; é o principal financiador do chamado “Eixo da Resistência”, que inclui grupos como o Hezbollah (Líbano), o Hamas (Gaza) e os Houthis (Iêmen). A desestabilização do governo iraniano altera todo o equilíbrio de poder no Oriente Médio, afetando diretamente a segurança de Israel e os interesses dos países árabes sunitas, como a Arábia Saudita.

O Estreito de Ormuz: O Gargalo Geopolítico do Mundo

A principal arma de retaliação e dissuasão do Irã, ao contrário do que muitos pensam, não é necessariamente o seu polêmico programa nuclear (que ainda está em fase de desenvolvimento e sob forte vigilância internacional), mas sim a sua privilegiada e estratégica posição geográfica. O país controla toda a margem norte do Estreito de Ormuz, a única passagem marítima que conecta as águas ricas em petróleo do Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, consequentemente, ao oceano aberto e aos mercados globais.

Para entender a gravidade da situação, basta olhar para os números: cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo e uma parcela gigantesca do gás natural liquefeito (GNL) passam diariamente por esse estreito. Em seu ponto mais crítico, a passagem navegável tem apenas 39 quilômetros de largura, dividida em corredores de ida e volta de apenas três quilômetros cada. Qualquer ameaça de fechamento, minagem ou bloqueio militar dessa rota por parte da Marinha ou da Guarda Revolucionária do Irã causa pânico imediato e generalizado nos mercados financeiros e de commodities globais.

Se os navios petroleiros gigantes (VLCCs) não puderem passar com segurança, a oferta global de petróleo despenca da noite para o dia. Como a demanda por energia é inelástica no curto prazo, os preços do barril de petróleo disparariam para níveis recordes, arrastando o mundo para uma crise inflacionária severa, semelhante aos choques do petróleo da década de 1970. No Brasil, os impactos seriam sentidos quase imediatamente nas bombas dos postos de combustíveis. O preço da gasolina e, principalmente, do diesel (que move a frota de caminhões do país) subiria drasticamente, encarecendo o frete de todas as mercadorias e gerando um efeito cascata que culminaria no aumento do preço dos alimentos nos supermercados, afetando diretamente a inflação oficial (IPCA) e o bolso das famílias brasileiras.

Como pode cair na prova?

  • Geografia Física e Econômica: A importância dos “chokepoints” (pontos de estrangulamento) marítimos para o comércio global, como o Estreito de Ormuz, o Canal de Suez e o Canal do Panamá.
  • História Contemporânea: As raízes da inimizade entre EUA e Irã, com foco na Revolução Islâmica de 1979, que transformou o país de um aliado ocidental em uma teocracia anti-americana.
  • Matriz Energética: A dependência global dos combustíveis fósseis e como a instabilidade geopolítica acelera a necessidade de transição para fontes de energia renováveis.

4. A Ascensão do BRICS e a Nova Ordem Multipolar

Enquanto o Ocidente (liderado por Estados Unidos e União Europeia) lida com crises políticas internas, inflação e o desgaste de financiar guerras prolongadas, o chamado “Sul Global” vem se organizando de forma pragmática para desafiar a hegemonia histórica estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. O principal instrumento diplomático e econômico dessa articulação é, sem dúvida, o BRICS.

brics expandido

A Expansão Histórica do Bloco

Originalmente formado no início dos anos 2000 por Brasil, Rússia, Índia e China (com a África do Sul ingressando logo depois), o BRICS deixou de ser apenas um acrônimo econômico inventado por um analista de Wall Street para se tornar uma força geopolítica real e institucionalizada. Nos últimos anos, o bloco passou por um processo de expansão histórico e sem precedentes, incorporando novos membros de peso estratégico inquestionável, como Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos [3].

Essa expansão não foi aleatória; foi um movimento de xadrez geopolítico meticulosamente calculado. A entrada simultânea de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã coloca o BRICS no controle de uma parcela gigantesca da produção e das reservas mundiais de petróleo e gás natural. A inclusão de nações africanas como Egito e Etiópia reforça a presença do bloco no continente que mais cresce demograficamente e que possui vastas reservas de minerais críticos essenciais para a transição energética. Com essa nova configuração, o BRICS expandido ultrapassa o G7 (grupo dos países mais ricos do Ocidente) tanto em participação no PIB global (medido por paridade de poder de compra) quanto em tamanho populacional.

O Desafio ao Dólar e ao Multilateralismo Tradicional

O grande objetivo estratégico do BRICS expandido é construir e consolidar uma ordem mundial verdadeiramente multipolar, onde o poder de decisão não esteja concentrado apenas em Washington, Londres ou Bruxelas. Isso se reflete em iniciativas práticas e institucionais, como o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, popularmente conhecido como o “Banco do BRICS”, atualmente presidido pela brasileira Dilma Rousseff). O NDB atua como uma alternativa direta e viável ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial, instituições criadas nos Acordos de Bretton Woods (1944) e historicamente dominadas pelos interesses do Ocidente, que frequentemente impõem contrapartidas políticas rigorosas para a concessão de empréstimos a países em desenvolvimento.

Outro tema central e recorrente nas reuniões de cúpula do bloco em 2026 é a chamada “desdolarização” da economia global. Os países do BRICS buscam ativamente criar mecanismos financeiros e sistemas de compensação para realizar o comércio internacional usando suas próprias moedas locais (como o Yuan chinês, a Rúpia indiana ou o Real brasileiro), contornando o sistema SWIFT. O objetivo é reduzir a dependência crônica do Dólar americano como moeda de reserva global e, consequentemente, diminuir a vulnerabilidade dessas nações a sanções econômicas unilaterais impostas pelos EUA, uma arma que Washington tem usado com frequência crescente contra países como Rússia e Irã.

Como pode cair na prova?

  • Nova Ordem Mundial: A transição de um mundo unipolar (pós-Guerra Fria, dominado pelos EUA) para um mundo multipolar, com a ascensão da China e do Sul Global.
  • Geografia Econômica: O papel dos blocos econômicos e das organizações supranacionais na reconfiguração do comércio e das finanças globais.
  • O Papel do Brasil: A política externa brasileira, tradicionalmente pautada pelo multilateralismo e pela busca de protagonismo entre os países em desenvolvimento.

5. COP30 em Belém: A Geopolítica do Clima e a Diplomacia Ambiental

O tema mais importante para a projeção do Brasil no cenário internacional entre 2025 e 2026 foi, sem sombra de dúvida, a questão ambiental e climática. A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) na cidade de Belém, no estado do Pará, em novembro de 2025, colocou a Floresta Amazônica no epicentro absoluto das negociações globais. Foi a primeira vez que o bioma mais importante do planeta sediou o principal evento climático da ONU [4].

COP30 em Belém: A Geopolítica do Clima e a Diplomacia Ambiental

O Pacote Belém e a Implementação da Ação Climática

A COP30 foi amplamente considerada pela comunidade internacional como um marco histórico, resultando na aprovação do abrangente “Pacote Belém” por 195 países signatários. Diferente de conferências anteriores (como a COP28 em Dubai), que foram frequentemente criticadas por resultarem apenas em promessas vagas e declarações de intenções, o encontro no Brasil foi estritamente focado na implementação prática e urgente das metas estabelecidas no Acordo de Paris (2015).

Entre os principais resultados e mecanismos aprovados que os estudantes precisam dominar para as provas estão [4]:

  1. A Nova Meta de Financiamento Climático (NCQG): O compromisso formal de triplicar o financiamento para adaptação climática até 2035, estabelecendo a ambiciosa meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente. Esse dinheiro, que deve vir majoritariamente de países ricos e bancos multilaterais, é fundamental para que países pobres e em desenvolvimento consigam construir infraestrutura resiliente para lidar com os desastres naturais extremos (secas, enchentes, furacões) causados pelo aquecimento global.
  2. Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF – Tropical Forests Forever Facility): Uma iniciativa financeira inédita e inovadora liderada pelo governo brasileiro, que conseguiu mobilizar US$ 6,7 bilhões em sua fase inicial. O objetivo do fundo é pagar diretamente os países em desenvolvimento que comprovem, de forma verificável, a conservação de suas florestas tropicais em pé. Na prática, é a precificação financeira do serviço ambiental inestimável que a floresta presta ao mundo ao capturar carbono e regular o clima.
  3. Mecanismo de Transição Justa: O reconhecimento oficial em documento de que a necessária mudança de uma economia baseada em combustíveis fósseis (carvão, petróleo) para matrizes de energias limpas (solar, eólica) não pode deixar ninguém para trás. A transição deve garantir a requalificação de trabalhadores de setores poluentes e proteger as populações mais vulneráveis dos impactos econômicos dessa mudança estrutural.

A Amazônia como o Maior Ativo Geopolítico do Brasil

A escolha de Belém como sede não foi apenas um gesto simbólico. O Brasil utilizou a vitrine da COP30 para reafirmar de forma categórica sua soberania inegociável sobre o território amazônico e, ao mesmo tempo, cobrar a “dívida climática” e a responsabilidade histórica dos países desenvolvidos do Norte Global (que são os maiores emissores acumulados de gases de efeito estufa desde o início da Revolução Industrial no século XVIII).

A nova geopolítica do clima dita uma regra clara: quem possui as maiores reservas de biodiversidade, florestas tropicais intactas e água doce do planeta tem um poder de barganha diplomática gigantesco. O Brasil busca ativamente transformar a necessidade global de preservação ambiental em um ativo econômico tangível. O objetivo é atrair investimentos massivos em bioeconomia, mercado de créditos de carbono e agricultura regenerativa, ao mesmo tempo em que exige, nos fóruns da OMC, que barreiras comerciais protecionistas disfarçadas de preocupação ambiental (como as rigorosas leis antidesmatamento impostas pela União Europeia a produtos agrícolas brasileiros) sejam derrubadas ou flexibilizadas.

amazonia

Como pode cair na prova?

  • Geografia Física e Ambiental: As causas e consequências do aquecimento global, o papel da Floresta Amazônica na regulação do clima (rios voadores) e os impactos do desmatamento.
  • Sustentabilidade: O conceito de desenvolvimento sustentável, a transição energética (hidrogênio verde, energia eólica e solar) e a bioeconomia.
  • Redação: A COP30 é um tema fortíssimo para a redação do ENEM, exigindo propostas de intervenção que unam preservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social.

Conclusão: Conectando os Pontos para a Prova

O estudante que deseja alcançar a nota máxima na prova de Ciências Humanas do ENEM 2026 e garantir um repertório sociocultural de peso para a redação não pode, sob hipótese alguma, olhar para esses cinco grandes temas como caixas isoladas ou eventos independentes. A geopolítica contemporânea funciona como uma teia complexa e interdependente de relações, onde puxar um fio em um continente inevitavelmente causa tremores em outro.

A agressiva guerra comercial e tecnológica travada entre os Estados Unidos e a China (Tema 1) não apenas altera o fluxo de mercadorias, mas acelera a busca por novos parceiros comerciais e alianças estratégicas no Sul Global, o que acaba fortalecendo e impulsionando a expansão do BRICS (Tema 4) como um contraponto ao poder ocidental. Por sua vez, a necessidade premente das grandes potências de garantir segurança energética diante da crescente instabilidade militar no Oriente Médio (Tema 3) e da crise política na Venezuela (Tema 2) entra em choque direto e paradoxal com as urgentes metas globais de redução de combustíveis fósseis que foram exaustivamente debatidas durante a COP30 em Belém (Tema 5).

O Brasil, por suas características geográficas e econômicas, encontra-se exatamente no meio desse fogo cruzado geopolítico. Como um dos maiores exportadores de commodities agrícolas e minerais do mundo, membro fundador e articulador do BRICS, e guardião soberano da maior floresta tropical do planeta, o país não é um mero espectador. As decisões tomadas nos corredores do poder em Brasília, Washington, Pequim, Moscou ou Teerã afetam direta e profundamente o nosso futuro econômico, a nossa inflação interna e a nossa inserção nas cadeias globais de valor.

Para aprofundar ainda mais os seus conhecimentos e garantir um repertório sociocultural imbatível para a redação do ENEM, recomendamos fortemente a leitura do nosso artigo detalhado sobre as Profissões Verdes: 7 Carreiras em Sustentabilidade que Crescem. Esse texto mostra, na prática, como a transição climática e a bioeconomia debatidas na COP30 já estão mudando radicalmente o mercado de trabalho brasileiro. Além disso, entender o Custo de Vida para Estudantes Universitários: As Cidades Mais Baratas do Brasil é uma leitura fundamental e estratégica para quem está se preparando intensamente para ingressar no ensino superior público ou privado em meio a esse cenário econômico global tão desafiador e dinâmico.

Mantenha-se atualizado, treine a sua capacidade de relacionar os fatos e lembre-se de que a prova do ENEM premia o raciocínio crítico. Bons estudos, foco na reta final e uma excelente prova!

Referências

[1] G1. Tarifaço: Brasil e China são os mais beneficiados com nova alíquota global de Trump, diz estudo. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/22/impactos-novas-tarifas-trump.ghtml. Acesso em: 18 maio 2026.

[2] GUIA DO ESTUDANTE. 5 acontecimentos do 1º trimestre de 2026 que podem aparecer no Enem e Vestibulares. Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/5-acontecimentos-do-1o-trimestre-de-2026-que-podem-aparecer-no-enem-e-vestibulares/. Acesso em: 18 maio 2026.

[3] COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS. What Is the BRICS Group and Why Is It Expanding? Disponível em: https://www.cfr.org/backgrounders/what-brics-group-and-why-it-expanding. Acesso em: 18 maio 2026.

[4] COP30 BRASIL. COP30 aprova o Pacote Belém. Disponível em: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/cop30-aprova-o-pacote-belem. Acesso em: 18 maio 2026.

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